Pastagens, Forragens e Rentabilidade

A rentabilidade das explorações agro-pecuárias depende fortemente dos custos da alimentação animal. O cenário actual caracterizado pelo elevado preço dos alimentos concentrados, causado pelo aumento do custo das matérias-primas e pela escassez e elevado preço da palha e feno - em consequência da seca deste inverno - obriga-nos a repensar os nossos sistemas de produção.

Temos na Região Mediterrânea condições únicas – temperaturas amenas e fotoperíodos longos - para produzir alimentação animal de qualidade. Ao falar de qualidade, referimo-nos a misturas biodiversas ricas em leguminosas que resultam num alimento nutritivo e desempenham um papel fundamental na saúde animal e na qualidade da carne e do leite.

Se esta alimentação for produzida nas nossas próprias explorações, ganhamos independência em relação a factores de produção externos e conseguimos melhorar os resultados económicos das nossas empresas.

As pastagens e forragens biodiversas ricas em leguminosas, por terem na sua composição diferentes espécies e cultivares, são um alimento mais completo, equilibrado e rico em:

  •  Energia e proteína,
  •  Vitaminas e sais minerais.
  • Outros elementos, como os taninos condensados que actuam como anti-timpânicos, anti-helmínticos, anti-diarreicos e geradores de proteína by-pass

De onde resultam produtos alimentares (carne e leite) também mais ricos e equilibrados, com benefícios directos na saúde humana:

  • vitamina E, reduz o risco de doenças cardiovasculares e cancerígenas
  •  Acido @linolénico, Omega 3, Omega 6 e CLA (ácido linoleico conjugado), protectores eficazes contra o cancro e doenças cardiovasculares. Carne feita em pastoreio de erva verde contem até 5 vezes mais CLA que a carne produzida com concentrados

Num sistema de produção animal ideal, as pastagens de longa duração (que devem por norma ser instaladas em parcelas que não queremos mobilizar todos os anos) seriam a base da alimentação, onde os animais teriam disponível alimento de qualidade durante os períodos de pastoreio, e as terras de sementeira estariam reservadas para produção de forragens de qualidade para suplementação em períodos de escassez alimentar e/ou para quando os animais estivessem estabulados. 

 

 

  • As pastagens permanentes biodiversas ricas em leguminosas são reconhecidas pela maior produção de erva devido a uma superior eficiência fotossintética e a uma melhor exploração da água e nutrientes do solo (estruturas aéreas e radiculares mais densas e eficazes) que possibilitam a sua persistência em anos mais secos. As sementes de leguminosas, pré-inoculadas com Rhizobium específico, potenciam a capacidade de fixar azoto gratuitamente pelas leguminosas, proporcionando uma fertilização azotada gratuita e o incremento da proteína da pastagem enquanto alimento.
  • Observando as curvas do gráfico acima, concluímos que haverá sempre períodos de escassez de alimento. Para colmatar períodos normais (grande parte do verão e inverno) ou anormais (outono e primavera) de escassez alimentar, a forragem conservada é, pelos aspectos referidos anteriormente, a melhor e mais rentável solução.

Em suma a produção animal deverá voltar a alterar hábitos de forma a tirar partido das condições únicas e favoráveis do nosso país para a produção, nas nossas próprias explorações, de pastagens e forragens ricas em leguminosa de alta qualidade como forma de aumentar a rentabilidade das empresas agro-pecuárias.

Existem no entanto alguns riscos que podem condicionar o êxito destas culturas. Cumprir as normas de instalação e maneio e procurar aconselhamento técnico adequado é a melhor forma de evitar acidentes culturais e de garantir que as pastagens e forragens cumprem o seu principal objectivo: fornecer uma alimentação animal rica em energia, proteína e com elevada digestibilidade a baixo custo.

Na FERTIPRADO dedicamo-nos há 22 anos ao desenvolvimento e comercialização de misturas de sementes biodiversas ricas em leguminosas para pastagens e forragens. Estas misturas são adaptadas às distintas condições locais de solo e clima e vão de encontro às necessidades e vocação das explorações agro-pecuárias com o objectivo de rentabilizar a actividade deste tão nobre sector.

*Artigo publicado na revista Charolesa, em Junho de 2012

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