Procedimento inovador permite acelerar obtenção de novas variedades

A FERTIPRADO, em conjunto com o ITQB e a Consulai, desenvolveu um novo procedimento que permite obter, por micropropagação, clones de várias espécies. Estes clones são testados, cruzados e multiplicados para se obterem novas variedades.

“Devido a este novo processo conseguimos obter mais variedades novas num menor período de tempo”, explica o diretor de marketing da FERTIPRADO, adiantando José Freire que “a micropropagação permite poupar quatro a cinco anos em relação ao processo tradicional”.

O melhoramento vegetal tradicional é um processo moroso e caro. Para se obter uma nova variedade são necessários muitos anos, para a seleção, melhoramento, homogeneização e estabilização da genética dos indivíduos que constituem as populações dessa nova variedade.

Este processo foi desenvolvido no âmbito de um projeto de colaboração entre a FERTIPRADO, o Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa e a consultora Consulai. O Micropropelite, que está agora numa segunda fase. 

Pedro Fevereiro, professor do ITQB, considera que “o projeto correu muito bem, porque através de cultura in vitro conseguimos obter populações clonais que foram colocadas na FERTIPRADO, testadas e multiplicadas todos os anos, para obter novas variedades com melhores características”.

Agora, adianta o investigador, “estamos na fase de homogeneização destas novas variedades e nós continuamos a acompanhar o processo”, através de um outro projeto no âmbito dos programas de conservação e melhoramento do ProDer. Um projeto que “dá continuidade ao trabalho que fizemos na primeira fase, com o objetivo de se poderem vir a registar algumas destas novas variedades que foram desenvolvidas”.

Resultados positivos
Também a diretora de I&D da Fertiprado, Ana Barradas se mostra muito satisfeita com os resultados do projeto, afirmando que se concluiu que “é possível micropropagar in vitro diferentes espécies de trevos anuais; conseguimos ajustar os meios de cultura de forma a controlar os processos de desenvolvimento das plântulas; foi possível aclimatar com sucesso a grande maioria das plantas propagadas in vitro e transferi-las para o meio ambiente; as plantas micropropagadas quando colocadas no meio ambiente apresentam fenótipos e respostas fisiológicas semelhantes às plantas mãe; e obtivemos sementes resultantes da polinização de plantas do mesmo genótipo”.
 
Ana Barradas acrescenta que o projeto tinha como objetivo desenvolver novas variedades de espécies de trevos elite que apresentaram melhores características relativamente à produção de sementes e de biomassa”. Espécies como o Trifolium resupinatum (trevo da pérsia), o T. incarnatum (trevo encarnado), o T. vesiculosum (trevo vesiculoso), o T. michelianum (trevo balança), o T. alexandrinum (Bersim) e o T. isthmocarpum.

Nestas espécies é difícil obter número adequado de sementes resultantes da polinização controlada (por causa do reduzido tamanho dos órgãos florais) ou da autopolinização (devido à auto-incompatibilidade), por isso, “neste projeto utilizaram-se, com sucesso, métodos de micropropagação in vitro de forma a aumentar o número de indivíduos e permitir, por um lado, a obtenção de um maior número de sementes resultantes da autopolinização (entre plantas do mesmo genótipo) e a obtenção de uma descendência híbrida resultante do cruzamento entre dois genótipos com características fenotípicas bem distintas”, explica a responsável.

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